Na polêmica disputa entre a Apple e o FBI, à qual Edward Snowden tem se referido como “o caso tecnológico mais importante da década”, alguns especialistas acreditam que o CEO Tim Cook poderia ser responsabilizado pessoalmente por desafiar uma ordem judicial e acabar sendo preso.
O advogado Peter Fu disse ao site Fast Company que este cenário se tornaria possível apenas se o caso fosse até o Supremo Tribunal e Apple perdesse e ainda assim continuasse a se recusar em cooperar.
Nestas circunstâncias, há um universo de possibilidades onde Tim Cook poderia ir para cadeia por se recusar a cumprir uma ordem legal do tribunal. Isto porque a Apple já declarou publicamente que não irá cumprir com uma ordem judicial para desbloquear o iPhone e como tal, necessariamente obriga os tribunais a favorecer a punição através de coerção
Stephen Vladeck, especialista na lei nacional de segurança na American University discorda. Para ele, é a Apple, enquanto corporação, que está no olho do furacão e potencialmente susceptível a uma condenação; e não o próprio Cook.
No entanto, todos parecem concordar sobre duas coisas. Em primeiro lugar, que a Apple está a salvo enquanto estiver contestando o caso, ou seja, enquanto a empresa não perder diante do Supremo Tribunal. É considerado extremamente improvável que a empresa enfrentaria qualquer repercussão enquanto ainda está trabalhando no seu processo de apelação.
Em segundo lugar, que se a Apple estiver disposta a desafiar uma eventual decisão da Suprema Corte, iria enfrentar multas substanciais.
A Apple é uma empresa que costuma cumprir a lei do país e para alguns parece improvável que continuaria a lutar se perder o caso na corte suprema. Estes acreditam que o resultado mais provável é que ela faria conforme a decisão final, e então trabalhar para tornar impossível que o FBI possa fazer o mesmo com futuros modelos do iPhone.
Por outro lado, a Apple recebeu apoio de diversas companhias, e mesmo Snowden tem advogado a favor da empresa, apontando, inclusive, que os alvos do FBI são cidadãos comuns, e não terroristas. Ele também insiste que as agências de inteligência já possuem recursos para obter os dados que desejam, mas querem que a Apple ceda para que haja um precedente a fim de forçar as outras empresas a abrir as portas para o governo.